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terça-feira, janeiro 26, 2010

Poema de sete faces - Carlos Drummond de Andrade

Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.

As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.

O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.

O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.

Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.

Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.

Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.

O coração do moço.

É de longe que vem
Aquele
Cujo coração não sabe ao certo
De quem realmente ele é
Será que é de uma moça que o jurou guardar pra sempre
Será que é da moça que mora longe
Será que é da criança que não sabe o que quer.

Não há tristeza nem remorso nesse moço
Que jura todos os dias o coração
A moça que ele não conhece
E a outra moça, que o tem dentro
Não sabe o que ele tem dentro de si.

E agora parece que a moça que mora longe
Não sabe mais o que é que significa
Não compreende o porque é que duas moças
Gostam do mesmo moço.

Agora então a primeira moça
Deverá ser do moço.

O moço deixará o sentimento
pela moça que mora longe
Morrer?
Será que a moça da sacada sabe?
Será que a moça do tempo sabe?
Será que a moça da loja sabe?
Será que a moça que mora perto sabe?
Será que o moço sabe?

A verdade é que o moço não sabe.

A moça que mora longe resolveu ficar longe.
Porque não vai morrer essa vontade de ver o rapaz
E ela não vai vê-lo
Não hoje
Não amanhã
Não depois.
Não há felicidade nos traços da moça
Ela não pertence a lugar algum
Que não seja dentro dela mesma.

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Encontro no tempo
Presente do vento
Estranho tormento
Que distrai meu sustento.
Já não mais sou água
Não mais sou pássaro
Não mais sou fonte...
Não mais tenho meus dez anos.
Não mais posso perder a hora
Não mais tenho descanso.
Despeço-me das tardes de chuva
Despeço-me do peão e da pipa
Despeço-me do imenso azul da liberdade
Despeço-me da infancia
Não como adeus, mas como um até breve...


segunda-feira, janeiro 18, 2010

Eu queria que cada verso
Cada linha, palavra, traço
Fosse um nada que formasse um tudo
Então juntei o Absurdo
com o Real
o Possível
ao Impossível
e não mais são coisas distintas
Hoje em dia são chamadas poesia.

domingo, janeiro 17, 2010

You know that I could use somebody...

Você sabe que eu poderia usar alguém
Alguém como você, com tudo o que você sabe, e como você fala...
Só pra não sentir a sua falta...
Mas isso me deixaria pobre
Sentir sua ausência é tudo o que eu posso
Tudo o que eu posso agora é implorar pra que você me deixe aqui.
Me deixe aprender com os erros
Me deixe sofrer...
Não me peça pra voltar.

It's such a perfect day...

Hoje os pingos na janela
Podiam significar muita coisa
Podiam ser cada lágrima que você derramou por mim
O seu choro implorando por mim...
Eu não ouvi os pingos na minha janela
Não ouvi o seu pedido de ajuda.
Não quis prestar atenção no suor que escorria pelo seu rosto e misturava-se as lágrimas
Não quis pensar em tudo o que está acontecendo agora
Não quero imaginar...
Conheces a intensidade dos sentimentos
Um beijo nunca é o bastante para mim...
Mas eu não posso oferecer mais nada a você.
Eu não posso te dizer algo só pra te deixar bem
Não posso esquecer do meu amor a mim também.