segunda-feira, fevereiro 15, 2010
Escrevi esse poema para você
quarta-feira, fevereiro 10, 2010
Pássaro de Gaiola
Resolveu fugir
Ser livre, ser seu dono
Resolveu descobrir o mundo ao seu redor
Mas ele é um animal de hábitos
Não sabia que lá fora
Teria que buscar alimento pra si
Teria que buscar abrigo
Teria que ser responsável...
Deverá voltar pra sua gaiola?
Deverá tentar aprender com os erros?
O pássaro sente falta do seu dono
O dono sente falta do seu pássaro
Mas o pássaro ainda não sabe.
segunda-feira, fevereiro 08, 2010
Sem lar.
Não tem abrigo
Não tem alicerce
Não tem repouso
Não tem aconchego.
Hoje tudo que sou é sombra
Sombra do que já fui um dia.
Sabe que eu te deixei,
você não precisa de mim.
Ninguém precisa de alguém que não sabe o que quer.
domingo, fevereiro 07, 2010
terça-feira, janeiro 26, 2010
Poema de sete faces - Carlos Drummond de Andrade
Quando nasci, um anjo torto
desses que vivem na sombra
disse: Vai, Carlos! ser gauche na vida.
As casas espiam os homens
que correm atrás de mulheres.
A tarde talvez fosse azul,
não houvesse tantos desejos.
O bonde passa cheio de pernas:
pernas brancas pretas amarelas.
Para que tanta perna, meu Deus, pergunta meu coração.
Porém meus olhos
não perguntam nada.
O homem atrás do bigode
é sério, simples e forte.
Quase não conversa.
Tem poucos, raros amigos
o homem atrás dos óculos e do bigode.
Meu Deus, por que me abandonaste
se sabias que eu não era Deus,
se sabias que eu era fraco.
Mundo mundo vasto mundo
se eu me chamasse Raimundo
seria uma rima, não seria uma solução.
Mundo mundo vasto mundo,
mais vasto é meu coração.
Eu não devia te dizer
mas essa lua
mas esse conhaque
botam a gente comovido como o diabo.
O coração do moço.
Aquele
Cujo coração não sabe ao certo
De quem realmente ele é
Será que é de uma moça que o jurou guardar pra sempre
Será que é da moça que mora longe
Será que é da criança que não sabe o que quer.
Não há tristeza nem remorso nesse moço
Que jura todos os dias o coração
A moça que ele não conhece
E a outra moça, que o tem dentro
Não sabe o que ele tem dentro de si.
E agora parece que a moça que mora longe
Não sabe mais o que é que significa
Não compreende o porque é que duas moças
Gostam do mesmo moço.
Agora então a primeira moça
Deverá ser do moço.
O moço deixará o sentimento
pela moça que mora longe
Morrer?
Será que a moça da sacada sabe?
Será que a moça do tempo sabe?
Será que a moça da loja sabe?
Será que a moça que mora perto sabe?
Será que o moço sabe?
A verdade é que o moço não sabe.
A moça que mora longe resolveu ficar longe.
Porque não vai morrer essa vontade de ver o rapaz
E ela não vai vê-lo
Não hoje
Não amanhã
Não depois.
Não há felicidade nos traços da moça
Ela não pertence a lugar algum
Que não seja dentro dela mesma.
quinta-feira, janeiro 21, 2010
Presente do vento
Estranho tormento
Que distrai meu sustento.
Já não mais sou água
Não mais sou pássaro
Não mais sou fonte...
Não mais tenho meus dez anos.
Não mais posso perder a hora
Não mais tenho descanso.
Despeço-me das tardes de chuva
Despeço-me do peão e da pipa
Despeço-me do imenso azul da liberdade
Despeço-me da infancia
Não como adeus, mas como um até breve...